Fonte: UDOP   
Qui, 27 de Outubro de 2016

Com o avanço nos preços do etanol recentemente, a relação entre o valor do álcool combustível e o da gasolina acelerou na terceira semana do mês na capital paulista, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

No período, essa equivalência atingiu 73,68%, depois dos 72,06% no período imediatamente anterior. O resultado superou o nível de 68,91% da terceira semana de outubro de 2015. Por enquanto, o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, André Chagas, afirma que não há sinais de alívio entre a relação dos preços dos dois combustíveis. De um lado, ressaltou, problemas com oferta estão deixando o etanol mais caro. "Historicamente, essa relação fica elevada (proximidade fim da safra de cana), mas fugiu bastante do padrão esperado para esta época do ano, antecipando a pressão. Por isso, os sinais são de aceleração", estimou. Na outra ponta, a gasolina também está subindo, já que tem em sua composição álcool anidro.

O que poderia dar alívio aos preços da gasolina seria a redução de 3,2% nas refinarias promovida recentemente pela Petrobras, disse Chagas. Segundo ele, com o encarecimento do açúcar no mercado externo e no atacado brasileiro, os preços do etanol devem seguir pressionados, sem dar espaço para recuo no valor da gasolina no varejo.

O economista explica que o alívio esperado com a queda da gasolina está sendo mascarado pelo aumento do etanol. Em outro levantamento da Fipe, o etanol ficou 7,84% mais caro na terceira quadrissemana do mês - últimos 30 dias terminados no domingo (23). Na segunda leitura, a taxa foi de 5,22%. Já a variação da gasolina ficou positiva em 1,00%, na comparação com 0,84% na segunda quadrissemana de outubro.

"Não houve queda no varejo nem há sinais de que terá", afirmou. Na terceira leitura do mês, o IPC - que mede a taxa de inflação na capital de SP - acelerou para 0,18%, na comparação com 0,02% na segunda medição. Segundo especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina.

A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder do combustível fóssil. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

26/10/16
Fonte: Fonte: Estadão Conteúdo
Texto extraído do Portal Faesp/Senar